Vergonha

Tenho vergonha.
Tenho vergonha de dizer que gosto da minha voz, que me olho ao espelho e gosto da minha aparência, tenho vergonha de dizer que gosto daquilo que visto. Tenho vergonha de falar Quando o silêncio dos que me rodeiam é mais audível que as minhas palavras que gritam constantemente por liberdade.
Tenho vergonha de dizer que gosto do meu cabelo quando acordo, tenho vergonha de dizer que não, tenho vergonha de dizer que sim. Tenho vergonha de dizer que amo Quando o sinto.


Vergonha não é um sentimento. É um conjunto de situações que prendem a liberdade em algemas de culpa e inseguranças feitas de ferro espelhado na sociedade e nos rótulos que nos colocam. Vergonha é deixar a voz soar em silêncio desejando gritar . Vergonha é, Quando nos perguntam "estás bem?", Responder que sim Quando tudo aquilo que temos caiu no poço fundo, cruel e solitário da dor.
Tenho vergonha.
Tenho culpa de ter vergonha.
Tenho medo do facto de ter culpa de ter vergonha.
Tenho defeitos.
Tenho vergonha deles.
Vim ao mundo sem nada.
Deixa-lo-ei sem nada.
Então porque me preocupo tanto com aquilo que sinto, que recebo, que critico, que debato, que apoio e que amo durante esta passagem breve pela vida ?
Porque num mundo em que a vida vai e vem é bom deixar raízes de plantas que, com novos hábitos se tornaram escassas. Plantas como o amor, a paz e a aceitação. Processos dificeis mas necessários.
Olá, está Sou EU, com defeitos e qualidades, com medos e bravura. Esta Sou eu, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 12 meses por ano a aprender a Como viver e a não deixar a sociedade Como eu a encontrei.

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