Sinto o mesmo


Sinto o mesmo que sentia quando me tinha como um ser demasiado imaturo para o dizer, demasiado afortunada para possuir um sentimento assim. Sinto o mesmo que nunca disse mas que nunca fora mentira, que era nada mais do que uma verdade que se escondia sempre que te via.
Hoje volto a escrever sobre ti, mais uma vez de muitas vezes que escrevi e apaguei este sentimento, do papel pálido, com medo de o partilhar porque o não conheço, mas de que tanto ouço falar.
Não vou mentir e dizer que não é estranho olhar para as nossas circunstâncias, de olhar para este presente tão irónico, é estranho não poder dizer sete letras que de banais nada têm e que me foram conhecidas mesmo sem que eu soubesse, palavras que tocam a minha pele que nunca se lembrara de nada tão permanente.

Não é cliché, não é difícil, não é percetível, não é e não pode ser.
E dói, cá onde uma alma desfeita chora por outra que nunca foi esquecida e lembrada apenas pela saudade de não ter algo que nunca lhe pertencera.
Dizem que quando a alma vê alguém que já guardou perto de um coração que bate num peito tão longe do nosso, os sentimentos voltam, mas a verdade é que eles nunca se ausentaram, nem me abandonaram, nunca me deixaram, mas era a memória de ti que vinha ocasionalmente quando a saudade apertava e que me magoou tanto quanto a dúvida.
E eu, que sou dona de palavras bipolares que me segredam sentimentos que não sou capaz de decifrar sozinha, vejo-me sem elas quando falo de amor, e falo com regularidade, mas sobre o qual nada sei, nada sei sobre a confusão que mora em quem ama e o sentimento que tenta os que não amam, o mar de banalidades que dizem ser o amor. E o problema é que muito dizem e eu muito leio e escrevo e acabo por idealizar um amor que só me pertence nas palavras que não são minhas, um amor daqueles que até a própria alma de poeta, que é minha, desconfia, mas é o sorriso, aquele que é teu e pelo qual a minha alma morre, de saudade, de amor, de nostalgia e aflição.
Não temos posse de pessoas ou almas, mas este sentimento que é meu não morre, nunca, mesmo que a realidade me mate lentamente, é algo que não compreendo, que não sei e prefiro nem saber, mas a realidade é, se não sei do amor, do que sei eu afinal?  

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