cala-se a voz
É pouco tentador existir
Nos dias de hoje em dia
Em que as nossas tentativas de ser
Sofrem de dolorosa vigia
“Não saias à noite”
“Não andes sozinha”
Já ouvimos todas nós
Quando nos “educavam” a sós.
De vítimas
A culpadas.
De sobreviventes
A julgadas.
Do que falam sem saber?
O que é viver
Neste mundo sendo mulher?
Quando fala o coração
Ou somente a razão.
Quando somos agarradas
Por mãos não solicitadas
E que não pedimos
Quando nos impõe o perdão do
“É por amor que agredimos”
Quando o não
Não não significa
Quando tomam a nossa decisão
Como uma aposta já conseguida.
Da violência à discriminação
Da surdez muda ao ouvir um não
O que somos e onde vivemos,
Nós afinal?
Num mundo em que se conhece o mal
E se deixa passar
Aquilo que não conseguimos esquecer.
É dúvida de se vivemos
Ou se nos irão deixar morrer.
Só sei que não quero, eu,
Ser a razão
Do choro penoso de uma Mulher
Que se perguntará quando,
Na História de um mundo qualquer,
Que nos pertence,
A todos nós,
Que se perguntará quando e como
É que lhe ensurdeceram a voz.
Porque é mesmo assim
Que sentimos a indiferença,
Na falsa pena e cuidados
Que serão para sempre a nossa final sentença.
Os nossos gritos e vozes vorazes
E que em vez de enclausurarem as Mulheres
Eduquem os rapazes.



Comentários
Enviar um comentário