Despedidas jamais soaram tão poéticas

Gostava de ser uma escritora capaz

daquelas que escrevem variações, 

Que citam Pessoa e Camões. 

Daquelas que magoam

e sabem que o fazem, 

daquelas do fado ou da coragem . 

Mas só sei escrever-te.


Só sei abraçar-te

com estas palavras que são minhas

e que te ofereço como por lealdade, 

que te ofereço nesta súplica

e morte lenta a que chamas tão vulgarmente 

de saudade.


Então, por casualidade, dei-lhe o teu nome. 


Porque és tu.

o que foi e que não voltou.

o que partiu e quebrou, 

mas jamais soube reconstruir

ou deixar, 

ou talvez, apenas, devolver

o que levou de mim, 

o coração e a alma, 

que como se fosse uma mãe, 

embalei e criei durante toda a minha vida.

Eram marés calmas

Que se traduziam em artes serenas, 

Era o segredo, sempre meu

sempre restrito. 

Mas depois apareceste tu, 

o erro mais bonito

de todas as artes que já vi. 

Vinhas desalinhadamente compatível 

Com toda a minha experiência sensível

Que sentia para além da minha alma. 

Vinhas desajeitadamente elegante

e sem olhares o tempo

tornaste-te presença constante

nesta casa do meu tamanho e forma.

Odeio dizer que és quando já foste e jamais serás. Mas seria erro fatal dizer que te quero mal, quando na verdade ainda te sinto tão perto. 


és a razão dos meus poemas sobre a saudade

e o motivo das lágrimas salgadas

que correm com tamanha vontade

sem, ao menos, pedirem perdão.

Que triste foi o verão

que colidiu com o inverno

em que te deixei ir

para me amar, 

ensinar e sentir

como já não pensava ser possível.


Eras tu

que mantinhas cativas as borboletas

dentro deste ventre que ficou órfão 

e para sempre carente, 

de ti. 

Quando partiste

Deixei de as sentir cá

profundamente fundo, dentro de mim

Mas passei a encontrá-las por onde passo

e em cada passo me lembram de ti, 

da rapidez com que chegaste à minha vida

e lhe deste cor, 

que rimou perfeitamente 

neste poema desconcertante e descontente 

sobre o amor. 

que rimou

com a rapidez com que desapareceste

e lavaste contigo as borboletas

que roubaste de mim. 


Agora escrevo

Com esperança de este ser o último poema

em que te tenho, a ti e à tua alma

como mote, essência e tema.


até sempre, amor. 

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares