A minha dúvida favorita
Se te fores,
Sei que vais com pressa
de seres quem toda a gente quer
que tu sejas.
Se te fores não te culpo.
Quantas vezes pensei, eu,
em ir e nunca mais voltar?
Quantas vezes pensei em mim mesma
como uma hipótese a não considerar?
Se te fores e não mais vieres
espero que saibas
que serás para sempre
o meu "e se?" favorito,
a minha dúvida favorita,
a adrenalina dos "porquês"
e choro dos "e porque não?".
Serás sempre
o fogo momentâneo que se apagou
e nada mais deixou
que cinzas,
como por pena,
deste coração de cera
que se derrete com palavras quentes
como o verão em que te conheci.
Agora rezo pelo vento,
rezo para que venha e que te leve
pedaços de ti que deixaste sem saber
pode ser que, neste pequeno mundo,
estes pedaços que se vão com o vento
te encontrem,
bem, de boa saúde e feliz,
que te encontrem completo,
que te encontrem sempre
porque os meus,
aqueles pedaços que conheceste
e levaste sem ao menos saberes
jamais me encontrarão como eu fora antes de ti.
Diria Descartes que "se penso, logo existo",
mas se penso, desisto de o fazer.
Se penso, penso em ti,
penso em como o meu coração
bateu tão fortemente
por alguém
num tão curto espaço de tempo.
Se penso, penso na possibilidade
de estares a pensar em mim,
com a mesma intensidade
com que penso sobre ti
e no "talvez" e "um dia"
que deixaste para trás.
Mas antes que te vás
para nunca mais voltares,
obrigada por acenderes o pavio
desta vela perfumada
que como túmulo
escondia uma faceta minha
que nunca ninguém conhecera,
nem mesmo eu,
e para ser sincera,
não sei se mais alguém conhecerá
da mesma forma que tu,
livre, desinibida e real,
sem pudor, disponível e predisposta.
Mas agora,
para todas as minhas dúvidas
a tua ausência é a resposta.



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